Sinistro Medicamento

No final da Idade Média, os europeus consumiam como remédio pedaços triturados de pele ou músculos das múmias.

Talvez os mistérios acerca da antiguidade egípcia aliados ao medo dos métodos usuais de cura tenham propiciado essa prática.

O processo de fabricação era realizado de duas formas: através da fervura de pedaços do corpo da múmia de onde se extraia uma pasta escura ou através da moagem sem a retirada das bandagens que envolviam o corpo.

O pó de múmia era anunciado como curativo para dores de cabeça, ferimentos, dores gástricas e problemas intestinais.

O remédio era vendido pelos boticários em três formas: pedaços de cadáver, uma pasta escura ou pó.

Considerado um elixir de longa vida era a cura anunciada contra todos os males.

Algumas fontes atribuem o uso do Pó de Múmia como um tratamento alternativo da época.

Nem todos os comerciantes usavam como matéria prima as múmias e faziam seus sinistros negócios com cadáveres mais acessíveis e menos custosos.

Até o final do século XVII o comércio fluiu tranquilamente sendo apenas interrompido quando pesados impostos cobrados aos fabricantes egípcios fez com que cessassem a fabricação do produto.

Ambroise Paré, escritor e cirurgião frances denunciava o absurdo uso das múmias como remédio e mostrou em seus estudos que esse produto poderia causar dores e vômitos.

A preservação dedicada do corpo das pessoas para o ingresso em uma nova existência não poderia continuar a ser transformada em remédio.