O Elo entre o Homem e o Universo

Podemos dizer que a dança acompanha o homem desde a pré-história.

As danças possuem diversos significados e há forte ligação com sentido religioso e interação com o universo.

Com sentido ritual a dança adquire os poderes das orações e poderes mágicos.

Ao longo da história as pessoas dançavam em ocasiões especiais como nascimentos, casamentos, puberdade, lutas, fertilidade, em época de colheita, interação de grupos, rituais etc.

Através do Animismo uma das primeiras manifestações ancestrais de espiritualidade, o homem passa a imitar os movimentos dos animais e assim possivelmente adquirir as qualidades e particularidades desses animais.

Essa crença possui familiaridades e talvez preceda o Xamanismo que praticava uma dança menos primitiva já que a música fazia parte e os xamãs a sincronizavam com os movimentos para favorecer a comunicação com os espíritos dos animais.

Nos rituais xamanísticos, o xamã em transe viaja por mundos invisíveis e faz a intermediação entre o natural e o sobrenatural. Usando os poderes das pedras, das plantas e dos animais cura e prevê acontecimentos.

Os kemmirais da Austrália e os tewas do Novo México imitam os animais, para distrair seus espíritos antes da caça e para tranquilizar os espíritos dos animais abatidos depois da caça.

Os “dançarinos do diabo” do Sri Lanka exorcizam os espíritos malignos com suas danças.

As danças mais conhecidas usadas nos rituais dos índios brasileiros são:

Dança doToré - com ritmo marcado pelo maracá (chocalho indígena feito de cabaça recheado de pedras ou sementes) é realizado ao ar livre e em círculo.  O ritual do toré  é considerado o símbolo maior de resistência e união entre os índios do Nordeste brasileiro. Faz parte da cultura autóctone dos povos Kariri-xocóXukuru-kaririPankararúTuxá, (índios dePernambuco), PankararéGeripancóKantaruré, KiririPataxóTupinambáTumbalaláPataxó Hã-hã-hãeWassu Cocal entre outros.

Dança do Kuarup - ritual iniciado sempre aos sábados pela manhã reverencia os mortos. Recebeu seu nome de uma árvore sagrada. Troncos de kuarup são colocados onde foram enterrados os mortos a serem reverenciados e os índios dançam e cantam em frente a eles. Própria de povos indígenas do Alto Xingu, em Mato Grosso.

A dança vista como ritual pagão e associada ao pecado foi condenada pelo cristianismo no século XII.

Impossibilitados de acabar com as danças feitas pelos camponeses nos períodos de semeadura, colheita e no início da primavera as danças foram relacionadas com santos da Igreja Católica, que passou a acolher as manifestações festivas.

Nesse período, a dança passou a ser definida por classes sociais e a aristocracia classificava as danças camponesas como dança dos pobres considerando-as vulgares, vigorosas e inconvenientes de serem dançadas pela nobreza.

Na Itália entre os séculos XIV e XVII com o objetivo de curar as picadas de tarântulas, que deixavam suas vítimas letárgicas, era realizada uma dança que só deveria cessar depois de passado o torpor. Essa particular dança e sua música passou a ser conhecida com o nome de tarantela.