Meninos Escaladores

Quase nus e lambuzados de óleo, aprendizes e órfãos pobres limpavam as cinzas das chaminés na Inglaterra georgiana.

Por volta do ano de 1851, havia na Grã Bretanha cerca de 1100 limpadores de chaminé, com menos de 15 anos.

Na Inglaterra do século XVIII havia muitas fábricas com chaminés a serem limpas.

Órfãos, de apenas quatro ou cinco anos de idade, eram “aprendizes” dos mestres limpadores.

O trabalho infantil era comum nessa época e algumas crianças morriam asfixiadas nas chaminés.

Por muitas horas, essas injustiçadas crianças ficavam em contato com cinzas e imundice.

Vistos como a escória da sociedade, possuíam muitas doenças (sífilis, tuberculose, varíola).

Percivall Pott, cirurgião próspero com importante clientela atuava no hospital St. Barthlomew, quando notou uma relação de aumento de casos de câncer de testículo entre os limpadores de chaminé e os meninos escaladores.

Percebeu que minúsculas e invisíveis partículas de fuligem se alojavam sob a pele das pessoas desse ramo de atividade durante dias.

O câncer no testículo chamado de “verruga de fuligem” manifestava-se numa ferida superficial da pele.

Para Pott, o acúmulo de poeira na pele era a mais provável causa desse tipo de câncer.

Com a desumana situação dessas crianças exposta, no ano de 1788, foi aprovada pelo Parlamento a Lei dos Limpadores de Chaminé proibindo que mestres limpadores empregassem crianças menores de oito anos.

Em 1834 a idade mínima para empregar aprendizes foi alterada para catorze anos.

Em 1840 para dezesseis anos.

Em 1875 o emprego de crianças para esse trabalho foi definitivamente proibido.

Após algumas décadas, a epidemia causada pelo homem, de câncer no testículo entre os limpadores de chaminé, desapareceu.