A Fascinante vida de Mary Kinsley

Mary quebrou estereótipos europeus na época vitoriana.

George Henry Kinsley, pai de Mary, realizou várias viagens ao redor do mundo e registrou em diversos diários, anotações que intencionava publicar no futuro.

Através das anotações do pai, Mary Henrietta Kinsley descobriu os investimentos em educação para os filhos:

Para Mary, educada pelo pai (quando ele tinha tempo livre), poucas aulas de alemão, para que ela pudesse ajudá-lo com a tradução de textos científicos.

Para Charles, irmão de Mary que estudava em Cambridge o pai havia investido 2000 libras.

Mary completou sua educação lendo tudo o que continha a biblioteca do pai.

A família Kinsley, mudou no ano de 1886 para Cambridge, onde o irmão de Mary foi estudar e com George impedido de viajar por motivo de saúde, Mary passou a trabalhar com o pai para publicar todas as notas e traduções.

Em fevereiro de 1892 o pai de Mary faleceu precedido pela mãe por apenas seis semanas.

Mary após reavaliar sua vida resolveu viajar para a África e continuar as pesquisas feitas pelo pai.

As convenções sociais vitorianas impediam Mary de controlar as finanças da família e tomar decisões sem a aprovação de Charles.

Para alívio de Mary, Charles decidiu viajar para a China no ano de 1893 deixando o caminho livre.

Na primeira expedição de Mary para África em 1893, ela visitou Angola, a Nigéria e a ilha de Fernando Pó (costa da África).

Atravessou pântanos com águas repletas de crocodilos, muitas vezes imersa até o pescoço, enfrentou sanguessugas e diversos insetos, bravamente vestida com seus trajes femininos vitorianos.

Defrontou-se com animais selvagens e em uma ocasião livrou seu barco de ser virado por crocodilos batendo vigorosamente neles, com os remos.

Quando um leopardo invadiu sua tenda assustou o bicho, atirando um jarro de água.

A segunda expedição de Mary ocorreu em 1894, quando explorou o Congo, Serra Leoa, Acra e Calabar e tornou-se a primeira pessoa europeia a entrar em certas regiões do Gabão e a primeira a navegar no rio Ogooué até Lambaréné (interior da África).

Em Libreville preferiu abandonar seu revólver a pagar para alfândega francesa, uma taxa de quinze shillings pela licença.

As viagens de Mary tinham fim científico e ela recolheu muitas espécies desconhecidas de plantas, conchas, inseto e répteis para o Museu Britânico.

Descobriu três espécies de peixes que receberam o seu nome.

Os fangs, uma tribo carnívora que havia tido pouco contato com os brancos eram o objetivo inicial de estudo de Mary.

Com o tempo Mary conseguiu travar contato e adquirir a confiança de uma aldeia fang, onde passou muito tempo e chegou a ficar hospedada, realizando o primeiro estudo detalhado desse povo.

Mary salvou um companheiro de viagem africano de nome Kiva, de ser devorado pelos canibais fangs.

Em uma particular noite, Mary contou que ao não suportar o mau cheiro da palhoça onde dormia, decidiu investigar o conteúdo de alguns sacos que estavam pendurados e ao abrir um deles encontrou apavorada: uma mão, três dedos do pé, duas orelhas e outras partes do corpo humano.

Tornou-se a primeira mulher a chegar ao cume do Monte Cameroon, fazendo a subida sozinha e deixando um cartão de visita no pico da montanha mais alta da região.

De volta à Inglaterra, escreveu dois livros que se tornaram best-sellers:

Viagens na África Ocidental (1897)

Estudos sobre a África Ocidental (1899)

Realizou várias palestras por todo país, com base nas suas descobertas e explorações e seu sucesso foi tão grande, que precisou adiar a sua volta à África.

Fazia crítica e era contra os missionários europeus enviados à África, com o objetivo de converter os povos nativos ao cristianismo, que apagava a complexa cultura africana e destruía a estrutura social das comunidades.

Trouxe à luz a cultura do povo africano que imaginavam selvagens primitivos e rompeu com o estereótipo que excluía ao gênero feminino o estudo das ciências (exclusivamente masculino).

Mary ofuscou seus contemporâneos com seus trabalhos geográficos e antropológicos na África do Sul.

Em uma época em que o lugar das mulheres era dentro de suas próprias casas e nem mesmo os homens se aventuravam pela África, Mary Kinsley viveu muitas aventuras.

As suas viagens foram notáveis não por ser uma mulher, mas para qualquer ser humano.

Mary Kinsley teve uma vida incrível e faleceu no dia 3 de julho de 1900, de febre tifoide aos 37 anos, enquanto cuidava de prisioneiros de guerra na África do Sul.

O último pedido de Mary foi que jogassem seu corpo no mar.

Seu caixão foi levado para False Bay, por um torpedo-barco onde foi jogado com honras militares ao mar.